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19 de novembro de 2016

Spin Situacionista ou deriva ou sequência

Internacional Situacionista (IS) foi um movimento internacional de cunho político e artístico. O movimento IS foi ativo no final da década de 1960 e aspirava por grandes transformações políticas e sociais. A primeira IS foi desfeita após o ano de 1972[1].

História

O movimento surgiu na vila italiana de Cosio di ArrosciaLiguria, em 28 de julho de 1957 com a fusão de várias tendências artísticas, que se auto definiam a vanguarda da época: Internationale lettriste, o International movement for an imaginist Bauhaus e a London Psychogeographical Association. Esta fusão incluiu influências adicionais do movimento COBRAdadaísmosurrealismo, e Fluxus, e foi inspirado pelo comunismo de conselhos e pela Revolução Húngara de 1956.
Os mais famosos membros do grupo eram Raul Vaneigem e o francês Guy Debord, que tendiam a polarizar as opiniões. Apesar de Vaneigem ter saído da Internacional Situacionista, expulso por Debord, suas contribuições vão além das artese do urbanismo. Em seu livro "A Arte de Viver para as Novas Gerações", publicado em 1967, todos os pilares desta sociedade são questionados. A inversão da perspectiva foi sistematicamente exposta como o momento em que a subversão constrói um novo mundo.
Quanto a Debord, alguns o descreviam como aquele que deu a clareza intelectual ao movimento; outros diziam que ele exercia controle ditatorial sobre a escolha dos membros e desenvolvimento do grupo, enquanto outros acreditavam que ele era um bom escritor, mas um pensador secundário. De todo modo, não há dúvida de que foi um grande ativista político. Tanto seus filmes quanto o seu livro "A Sociedade do Espetáculo" (1967) tiveram grande repercussão no cenário político francês e europeu.
Dentre os membros da IS destacam-se: o escritor ítalo-escocês Alexander Trocchi, o artista inglês Ralph Rumney (único membro da London Psychogeographical Association, expulso logo após a formação da IS), o artista escandinavo Asger Jorn, o veterano da revolução húngara Attila Kotanyi e a escritora francesa Michèle Bernstein.
De uma forma ou de outra, as correntes que precederam a IS viam no seu propósito a redefinição radical do papel da arte no século XX. Os próprios "situacionistas" tinham um ponto de vista dialético, assumindo a tarefa de "superar" a arte, abolindo a noção de arte como uma atividade especializada e separada e transformando-a naquilo que seria parte da construção da vida cotidiana.
Do ponto de vista situacionista, a arte ou é revolucionária ou não é nada. Desta forma, os situacionistas se viam como os responsáveis por completar o trabalho dos dadaístas e surrealistas, enquanto aboliam os dois movimentos. A despeito disso, os situacionistas respondiam a pergunta "O que é revolucionário?" de maneiras diferentes em momentos diferentes.
Mas se no início a ideia era criticar a arte, já nos primeiro números da revista, a compreensão era de que a superação da arte só viria pela transformação ininterrupta do meio urbano. Não era construir cidades ideais, como Jorn pensou por muito tempo, mas fazer do urbanismo e da arquitetura ferramentas de uma revolução do cotidiano. Essas ideias surgiram quando do esgotamento das discussões da Internacional Letrista - grupo de que Debord participou antes da IS. Destas pesquisas sobre arte e urbanismo, resultaram a psicogeografia e seu procedimento de pesquisa - a deriva.
A IS sofreu divisões e muitos membros foram expulsos desde o seu início. Uma dessas divisões resultou na criação de dois grupos: a seção parisiense, que manteve o nome original, e a seção alemã conhecida como Segunda Internacional Situacionista que se organizou sob o nome de Gruppe SPUR. Enquanto a história da IS foi marcada por um ímpeto de revolucionar a vida, a separação entre franceses e alemães marcou a transição de uma visão artística da revolução para uma visão claramente política.
Aqueles ligados à visão artística viam na evolução da IS o surgimento de uma organização enfadonha e dogmática, enquanto aqueles que seguiram a visão políticaviram os acontecimentos de maio de 1968 como uma consequência lógica da abordagem dialética da IS: enquanto enfrentavam a sociedade atual, eles buscavam uma sociedade revolucionária que poderia incorporar as tendências positivas do desenvolvimento capitalista.
A "realização e supressão da arte" é simplesmente a mais desenvolvida das "superações" que a IS buscou por anos. Para a Internacional Situacionista de 1968, o triunfo mundial dos conselhos de trabalhadores levaria a todas as superações.

Maio de 1968

Um importante evento que conduziu ao Maio de 1968 foi o chamado "Escândalo de Estrasburgo". Um grupo de estudantes utilizou fundos públicos para publicar um panfleto com um libelo da IS, "A miséria do meio estudantil". O panfleto circulou em milhares de cópias e fez os situacionistas conhecidos por toda esquerda nãostalinista.
As ocupações de 1968 começam na Universidade de Paris em Nanterre e chegam até a Sorbonne. A polícia tentou desocupar a Sorbonne e acabou iniciando um distúrbio. Em seguida uma greve geral foi declarada com a participação de até 10 milhões de trabalhadores. A IS originalmente participou das ocupações da Sorbonne e defendeu as barricadas nos distúrbios. Também distribuiu chamados para ocupação de fábricas e para a formação de conselhos de trabalhadores mas, desapontada com os estudantes, deixou a universidade para criar o C.M.D.O., um "Conselho para Manutenção da Ocupação" que distribuiu as demandas da IS numa escala muito maior. O governo e as uniões sindicais chegaram a um acordo mas nenhum trabalhador voltava ao trabalho. A greve terminou somente quando o presidente Charles de Gaulle colocou as forças armadas nas ruas de Paris. Logo após, a polícia retomou a universidade Sorbonne e o C.M.D.O. foi dissolvido.

Idéias da Internacional Situacionista

  • A sociedade do espetáculo: "Nós vivemos em uma sociedade do espetáculo, isto é, toda a nossa vida é envolta por uma imensa acumulação de espetáculos. As coisas que eram vivenciadas diretamente agora são vivenciadas através de um intermediário. A partir do momento que uma experiência é tirada do mundo real ela se torna um produto comercial. Como um produto comercial o "espetacular" é desenvolvido em detrimento do real. Ele se torna um substituto da experiência." - Tradução de trecho do livro 'Spectacular Times' de Larry Law.
"O espetáculo não é uma coleção de imagens, mas uma relação social entre pessoas, intermediada por imagens… O espetáculo em geral, como uma concreta inversão da vida, é um movimento autônomo do não vivente… O mentiroso mentiu pra si mesmo" - Guy Debord
Os situacionistas argumentariam em favor da separação entre um espetáculo "falso" e a "verdadeira" vida cotidiana. Debord, contrastando Hegel, diz que, dentro do espetáculo, "o verdadeiro é um momento do falso". O espetáculo não é uma conspiração. Os Situacionistas diriam que a sociedade chega ao nível do espetáculo quando praticamente todos os aspectos da cultura e experiência são intermediados por uma relação social capitalista.

Notas e referências

  1.  Elliot, K. (outubro de 1999). «Situationism in a nutshell» (em inglês).


Ligações externas

4 de outubro de 2016

Tristan Tzara, o revolucionário: do caos à ordem

    Tristan Tzara, cujo verdadeiro nome era Samuel Rosenstock, nasceu em Moinesti, na Romênia, em 16 de abril de 1896. Começou a escrever poesia muito cedo e, aos dezessete anos, já era colaborador de uma das revistas de vanguarda de seu país:Simbolul
    Em 1915 adotou o pseudônimo pelo qual ficou conhecido e que significa “triste em meu país”. No mesmo ano mudou-se para Zurique, para estudar ciências humanas e filosofia. Ali se converteu em um dos fundadores do Cabaré Voltaire
    Junto a Jean Arp e Hugo Ball, foi um dos criadores e líder do movimento dadaísta. Em 1918, subscreveu o Manifesto Dadá, a declaração programática mais importante do movimento que revolucionaria a arte através da sua negação, buscando romper com todos os parâmetros estabelecidos ao longo da história da arte ocidental. 
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    Autor de uma importante produção literária, cujas raízes se encontram no niilismo, investindo contra os valores culturais, estéticos e morais da sociedade – inclusive as convenções linguísticas tradicionais -, é uma das figuras destacadas da vanguarda artística, para a qual contribuiu com uma criação pessoal singular, lançando as bases para outras correntes vanguardistas inovadoras e fecundas, como o Surrealismo.

    Entusiasmado desde a infância por uma vasta curiosidade intelectual, em Zurique, junto a outros artistas e intelectuais, como os escritores Hugo Ball e Richard Huelsenbeck, o pintor Jean Hans Arp e o artista romeno Marcel Janko, fundou, em 1916, o movimento Dadá, que canalizava as inquietudes artísticas e suas ideias transgressoras sobre a arte, o pensamento e a cultura tradicionais.

    Tzara foi o autêntico espírito impulsionador do movimento que fundou uma corrente estética rigorosamente nova, capaz de enfrentar as normas estabelecidas.

    No transcurso de 1916, na publicação Cabaré Voltaire Tristan Tzara defendia veementemente sua concepção radical da poesia, vista como uma força viva que não necessitava da escrita para manifestar sua força expressiva, podendo ocorrer sob os mais variados suportes e situações, à margem da formulação tradicional.

    A primeira obra prima de Tristan Tzara surgiu em consequência das primeiras movimentações do dadaísmo, sendo intitulada La première aventure céleste de Monsier Antipyrine. No ano seguinte, publicou outros escritos poéticos nas revistas parisienses Sic e Nord-Sud, mas sua grande estreia no panorama literário europeu do início do século XX ocorreu em 1918, quando foi impresso o célebre Manifesto Dadá, que defendia, mais do que postulados estéticos concretos e bem definidos, uma atitude rebelde e transgressora diante de qualquer manifestação da cultura tradicional:
[...] Todo produto da aversão suscetível de se tornar uma negação da família é dadá; protesto com toda a sua força em ação destrutiva: DADÁ; conhecimento de todos os meios rejeitados até agora pelo sexo pudico do compromisso cômodo e da polidez:DADÁ; abolição da lógica, dança dos incapazes de criação: DADÁ; de toda hierarquia e equação social estabelecidas pelos valores por nossos criados: DADÁ; cada objeto, todos os objetos, os sentimentos e as obscuridades, as aparições e o choque preciso de linhas paralelas, são meios para o combate: DADÁ; abolição da memória: DADÁ; abolição da arqueologia: DADÁ; abolição dos profetas: DADÁ; abolição do futuro:DADÁ; crença absoluta indiscutível em cada deus produto imediato da espontaneidade:DADÁ; salto elegante e sem preconceito de uma harmonia para outra esfera; trajetória de uma palavra atirada como um disco sonoro grito; respeitar todas as individualidades na sua loucura do momento: séria, temerosa, tímida, ardente, vigorosa, decidida ou entusiasmada; despojar sua igreja de todos os acessórios inúteis e pesados; cuspir como uma cascata luminosa o pensamento desagradável ou amoroso, ou acalentá-lo — com a viva satisfação de que tudo é igual — com a mesma intensidade na moita, livre de insetos para o sangue bem-nascido, e dourado com corpos de arcanjos, com sua própria alma. Liberdade: DADÁ DADÁ DADÁ, alarido de dores crispadas, entrelaçamento dos contrários e de todas as contradições, dos grotescos, das inconsequências: A VIDA.

    Também em 1918, um sugestivo e revelador livro de Tristan Tzara – Vingt-cinq poèmes, no qual o poema La grande complainte de mon obscurité trois representou um texto totalmente alheio aos significados lógicos da linguagem, converteu-se em um dos principais precursores do Surrealismo (principalmente em relação à escrita automática).

    A partir de 1919, Tzara começou a entrar em contato com outros pioneiros da estética surrealista, como André Breton, Philippe Soupault e Louis Aragon, passando a ser colaborador da revista Littérature, porta-voz do movimento surrealista.

    Em 1920 mudou-se para Paris, onde publicou uma nova coletânea de poemas -Cinéma calendrier du coeur abstrait maisons. Dois anos após, em virtude de uma polêmica pública com André Breton, abandonou o surrealismo.

    Com o surgimento do livro De nos oiseaux, em 1923, reafirmou publicamente sua condição de líder do movimento dadaísta e com Sept manifestes dadá, em 1924, traçou uma célebre distinção entre poesia dirigida (cultivada pelos escritores apegados à tradição) e poesia latente (postulada pelo dadaísmo, baseada em um niilismo radical que repudiava convenções morais, sociais, estéticas e linguísticas).
Receita para fazer um poema Dadaísta

Pegue um jornal.
Pegue uma tesoura.
Escolha no jornal um artigo com o comprimento que pensa dar ao seu poema.
Recorte o artigo.
Depois, recorte cuidadosamente todas as palavras que formam o artigo e meta-as num saco.
Agite suavemente.
Seguidamente, tire os recortes um por um.
Copie conscienciosamente pela ordem em que saem do saco.
O poema será parecido consigo.
E pronto: será um escritor infinitamente original e duma adorável sensibilidade, embora incompreendido pelo vulgo.
    Nessa mesma linha ideológica surgiram outras publicações, como Mouchoir de nuages (1925), Indicateur des chemins de coeur (1928), L'arbre des voyageurs (1930) eL'homme approximatif (1931).

    Nesta última, predomina um fluxo constante, virulento e primitivo de imagens caóticas, que parece aludir, simbolicamente, à desordem inicial da criação. Expressa a raiz niilista do dadaísmo, que fora identificada um ano antes, na obra Le papier collè ou le proverbe en peinture: a natureza informe, imensa e indeterminada do pensamento humano e a angústia que se apodera de quem tenta reduzir este vasto domínio à linguagem da lógica e das palavras.

    No início dos anos trinta, através nas páginas da revista Le Surréalisme au Service de la Révolution, Tzara estampou seu célebre Essai sur la situation de la poésie, brilhante contribuição cultural e teórica ao estudo da nova criação poética da vanguarda. Tendo se aproximado da ideologia marxista, esse choque com seu espírito indisciplinado e niilista gerou uma série de conflitos internos e tensões externas e, em última análise, também certo equilíbrio linguístico e conceitual em seus textos, tanto no vocabulário quanto na composição.

    Entre 1934 e 1937, residiu a maior parte do tempo na Espanha, onde foi nomeado secretário do Comitê para a Defesa da Cultura Espanhola. Nessa época havia acrescentado vários livros à sua extensa bibliografia, como Où boivent les loups(1932), L'antitête (1933), Sur le champ (1935), Grains et issues (1935), La main passe(1935), Ramures (1936) e Vigies (1937). A emergência da Segunda Guerra Mundial o levou de regresso à França, onde escreveu La deuxième aventure céleste de Monsieur Antipyrine (1938) e Midis gagnés (1939), nos quais demonstra uma evolução para o equilíbrio e a serenidade experimentada desde o princípio da década de trinta.

     Durante a Segunda Guerra Mundial, sua afiliação às ideias comunistas o obrigou a refugiar-se no sul da França, onde participou, de forma clandestina e ativa, na Resistência Francesa, trabalhando como elo entre os diversos intelectuais que se opuseram à ocupação alemã.

    Com o fim da guerra, plenamente consagrado como uma das principais figuras das letras francesas do século XX, participou da fundação do Instituto de Estudos Ocidentais e passou a realizar conferências nas quais abominava a guerra, mas também a mentalidade burguesa contemporânea, cujo conservadorismo ético e estético sempre havia permitido a existência das condições sociais e políticas que deram origem à guerra. Os textos desses discursos foram reunidos em um livro intitulado Le surréalisme et l'après-guerre, de 1947, mesmo ano em que publicou o livro de poemas La fuite.

    Nos anos posteriores, concentrou-se fundamentalmente na crítica e na investigação literária, com trabalhos dedicados ao estudo da poesia francesa medieval e à vida e obra de François Villon. Entre os vários livros produzidos nessa época, destacam-se: Une route seul soleil (1944), Ça va (1944), Le coeur à gaz (1946),Entre-temps (1946), Le signe de vie (1946), Terre sur terre (1946), Vingt-cinq et un poèmes (1946), Morceaux choisis (1947), Phases (1949), Sans coup férir (1949), Parler seul (1950), De mémoire d'homme (1950), Le poids du monde (1951), La prèmière main(1952), La face intérieur (1953), Picasso et la poésie (1953), L'Egypte face à face (1954),A haute flamme (1955), La bonne heure (1955), Miennes (1955), Le temps naissant(1955), Le fruit permis (1956), Frère bois (1957), La rose et le chien (1958), Le secrete de François Villon (1961), Juste présent (1962), Lampisteries (1963) y Cinq poèmes oubliés(1965).

    Foi um símbolo do envolvimento judeu na arte de vanguarda e na política de esquerda e, nos anos trinta, converteu-se no alvo habitual dos ataques antissemitas. Durante a Segunda Guerra Mundial, suas obras chegaram a ser proibidas na Romênia. Em 1947 obteve a nacionalidade francesa e abandonou definitivamente seu país natal.

    Faleceu em Paris, em 25 de dezembro de 1963.
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Retrato de Tristan Tzara, por Robert Delaunay 1923
    Em suas primeiras manifestações poéticas apresenta-se uma busca de aniquilar a linguagem poética tradicional, aspirando também à destruição dos códigos morais e culturais de um mundo que, para os dadaístas, encontra-se em franca decomposição. Não se trata, portanto, da mera proposta de revitalização estética da arte e da literatura, mas de uma poderosa força destrutiva que quer minar a sociedade agindo sobre um de seus pilares básicos: a linguagem e o conjunto de códigos e valores que encerra.

    Como poeta, adverte que seus únicos instrumentos de luta são as palavras e que o campo de ação no qual exercita sua proposta revolucionária é a linguagem. Sua poesia juvenil busca a decomposição da sintaxe, a associação de termos incompatíveis dentro do pensamento lógico, o acúmulo de ritmos caóticos que acentuam a sensação de ruptura e, definitivamente, a essência de uma nova poesia derivada da fragmentação e da desconstrução do poema tradicional.

    O constante apelo ao humor, cujos efeitos cáusticos e corrosivos contribuem para a consecução de um espaço aparentemente absurdo onde se movem os dadaístas, não atenua a firmeza moral de suas ideias e intenções: na verdade, tem a consciência de propor uma ruptura ética e estética radical, “que nasce  de uma exigência moral, de uma vontade implacável de alcançar um absoluto moral, do profundo sentimento que o homem, no centro de todas as criações do espírito, expande para afirmar sua preeminência sobre as noções empobrecidas da substância humana”:
O grande lamento da minha árvore da obscuridade

Onde nós vivemos as flores dos relógios pegam fogo e as plumas
circundam o brilho na distante manhã de enxofre as vacas lambem
as rosas de sal
meu filho
meu filho
deixa-nos sempre arrastar pela cor do mundo
que parece mais azul que o metro e a astronomia
somos demasiado magros
não temos boca
as nossas pernas são demasiado hirtas e batem uma na outra
as nossas caras não têm forma como as estrelas 
pontos de cristal sem força basílica queimada
louca: as fendas em zig-zag
telefona
morde a manipulação liquefeita
a arca
escala
astral
memória
para o norte através da sua dupla fruta
como carne crua
fome fogo sangue
(In Vingt-cinq poèmes, 1918)
    Com a passagem dos anos e superando em parte esse ímpeto transgressor, sua poesia foi sendo contagiada por preocupações sociais, mais voltadas para a realidade de seu tempo. Sem renunciar à vocação renovadora e purificadora de seus princípios dadaístas, deixou que suas inquietações sociopolíticas (sobretudo pela aproximação ao marxismo) aflorassem em seus versos, que começaram a se enriquecer com abundantes elementos humanos, profundos e graves.

    Cada vez mais sóbria e depurada, a poesia da maturidade de Tristan Tzara alcançou um novo alento e uma dimensão humana profunda, que mostra seu interesse pela fraternidade entre os povos, pelo destino comum da coletividade, sobre o papel do homem na sociedade de seu tempo, etc.

    O deslocamento da sintaxe, a associação de imagens contraditórias, a busca constante da surpresa na abstração ou no jogo de palavras, deram lugar, nesta última etapa de sua produção poética, a uma sóbria, serena e equilibrada reflexão que, após constatar o vazio e a náusea da existência, volta-se para o ser humano, buscando nele algum significado.
Os sinos tocam sem razão e nós também
os olhos das frutas nos olham atentamente
e todas as nossas ações são controladas não há nada
oculto.
(In L'homme approximatif, 1931)
    No vídeo abaixo (com acesso a legendas em português), uma entrevista de Tristan Tzara, na década de cinquenta:

8 de setembro de 2016

Me lembrei do sonho sobre o ponto de luz que virou rizoma que virou galáxia

Olá Cecilia Cavalieri ou Cecilia Cotrim é assim, no andar da carruagem que a gente vai entendendo o mundo ou, como dizem, no remelexo das abóbaras...abóbaras ou porcos, tanto faz
ixi, q q isso, abóboras...ah, ou abobras como dizia minha avó..
fui
://
Deneir De Souza Martins adicionou 3 novas fotos.
17 h
ra/Engenhoca interativa que ao pedalar gira o globo e gera energia para acender o farol, através de dínamo.
Técnica: triciclo, cobre, engrenagens, dínamo e lampada - 2016.
Curadoria: Paulo Branquinho

Lembranças do passado presentes

r a primeira tendência política a defender a palavra de ordem "Abaixo a Ditadura" publicamente. Ela participou ativamente da reconstrução da União Nacional dos Estudantes (UNE), da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e teve muitos de seus militantes em importantes diretórios e centros acadêmicos do país.
A Libelu foi dissolvida na primeira metade da década de 1980, com a integração de alguns de seus quadros ao Partido dos Trabalhadores (PT). A corrente "O Trabalho" do PT, seção brasileira da IV Internacional (1993) liderada por Markus Sokol, representa a continuação da estrutura da OSI na atualidade.

28 de abril de 2016

Das contradições na cidade spin e a função do Poder Curador

 O Poder Curador na cidade spin existe para traduzir olhar ser os indivíduos animais ou humanos ou jurídicos Lembranças do passado presentes 

1- Na cidade spin os sócios são os animais, os seres humanos e as pessoas jurídicas. 

2- A província, que compreende um determinado rio com as cidades-estado às margens direita e esquerda, de forma que os rios não são fronteiras ou esgoto mas o todo. 

3- A União que, no caso, é a confederação de rios, isso que chamamos de Brasil. Brasília ou Chiang Ing ou Chia I. 

As 3 realidades ou forças ou personas ou individualidades que formam a polis, incluindo a área rural: Os animais, os seres humanos e as pessoas jurídicas.